Excerto Inicial

     Aron estava a trabalhar na forja de ferreiro com uma dedicação particular. Em vez das ferraduras dos cavalos, ou das ferramentas de pesca ou lavoura, mais comuns, estava a fazer uma espada, recorrendo a um conhecimento recém recebido. Usou o fole para aumentar a temperatura da forja. A futura espada estava ao rubro e o calor da fornalha quase lhe queimava a pele. Satisfeito, pegou-a com a tenaz e dirigiu-se para a bigorna atrás de si. Estava perfeitamente concentrado a bater-lhe cuidadosamente com o martelo, quando o seu irmão de 15 anos, um ano mais novo, entrou de rompante.

    – Já sabes das novidades? – perguntou ele muito exaltado, procurando fazer-se ouvir por cima das marteladas.

    – Quais novidades? – ripostou Aron, aborrecido por ter sido interrompido no seu trabalho, mas sem tirar os olhos da sua preciosa espada, ou de parar de malhar no ferro quente. Se havia uma coisa de que ele não gostava, era de ser interrompido, quando estava concentrado num trabalho importante.

    – Sobre quem chegou à aldeia! – exclamou Celic já impaciente.

    – Não sei de nada – informou Aron endireitando-se para uma pausa no uso do martelo, enquanto apreciava a sua obra. Aron era um jovem de 16 anos com boa aparência. Os seus olhos castanhos condiziam com o cabelo preto e tinha uma altura média, com uma musculatura bem desenvolvida do trabalho de aprendiz de ferreiro. Usava umas calças verdes escuras e uma túnica castanha até meio da coxa, apertada por um cinto largo. Por cima das roupas estava colocado um avental protector. Focou os seus olhos magnéticos em Celic e, sem emitir um som, fez um ar interrogativo.

    – Chegou um telepata do Templo da Voz da Mente!

    – Um telepata? – questionou Aron agradavelmente surpreendido. Poisou a espada e o martelo e voltou-se para o irmão. A oficina não era grande, tinha a fornalha da forja a funcionar, que aquecia todo o ambiente, apesar das janelas abertas. As demais ferramentas de ferreiro estavam arrumadas e penduradas nos seus sítios.

    – E não é um telepata qualquer. É um instrutor do Templo. – referiu Celic triunfante. Ele também era aprendiz de ferreiro na casa do pai. Era ligeiramente mais baixo que Aron e tinha algumas parecenças com ele. As suas roupas eram semelhantes às do irmão.

    – Mas o que vem fazer um instrutor do Templo à nossa aldeia? – interrogou-se Aron enquanto considerava as possíveis alternativas. – Alguma coisa se passa.

    – E isso não é tudo – referiu Celic com um gesto de excitação. – Ele foi directo para a casa do chefe da aldeia.

 

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